Afinal, para que serve o autoconhecimento?

Apesar das limitações que esse termo implica, o autoconhecimento está “na boca do povo”. Todo mundo sabe da sua importância. Okay, mas para que serve? O que você está querendo fazer com o que passa a conhecer de você mesmo?

Viver melhor? Repetir menos fracassos? Conquistar coisas? Enfim, há uma infinidade de respostas possíveis. No entanto, percebo que existe uma série de terapias e instrumentos de autoconhecimento que apesar de contribuírem para uma melhor autopercepção, terminam por anular o próprio propósito de se autoconhecer.

Isso acontece quando a pessoa se apega de tal forma as suas “descobertas” sobre si, que passa a se identificar inteiramente com essas informações. Isso é tentador porque encontrar categorias que nos definam, nos dá a falsa sensação de que temos mais poder sobre nós e sobre as circunstâncias. Afinal, “sabemos quem somos”.

Mas é bom tomarmos cuidado, porque não é assim que funciona. A verdade é que não sabemos e não saberemos quem somos pela razão de que a nossa tamanha complexidade não cabe em definições.

Traços de nossa personalidade estão longe de nos definir.  Ainda bem, porque no tocante à subjetividade, a ideia de definição está mais para autolimitação do que para autoconhecimento.

Mas então para que serve o tão propagado autoconhecimento?

Serve como ponto de partida, pelo simples (e ao mesmo tempo complexo) fato de que ao ter conhecimento do porque faço certas coisas ou me meto em algumas roubadas, estou em melhores condições de me questionar se ainda preciso disso.

E se posso me fazer essa pergunta, é porque estou em outra posição. Em uma posição bem distante de um padrão de repetição cega e acéfala.

A partir daí, a escolha é minha. Assim como a responsabilidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *