Propósito de Vida não é Vocação

Talvez você se pergunte porque essa diferenciação é importante ou se ela realmente importa.

E a resposta é sim. Importa porque o significado das palavras, ou seja, a linguagem, molda a construção dos nossos pensamentos. E são os pensamentos que, junto com as nossas sensações, vão dar sentido às nossas experiências. É por essa razão que dizemos que a palavra cria.

Com relação às palavras vocação e propósito, isso fica muito evidente.

Vocação, do latim vocatio, tem sentido de “chamamento”. Veja só a característica de passividade que acompanha essa ideia. Algo ou alguém chama e a possibilidade que temos é responder ou não ao tal chamamento.

Essa noção de vocação teve início no século XIV e ganhou força em uma sociedade que precisava se organizar através de funções definidas, que, por sinal, eram determinadas por uma entidade superior, divina.

Com a Revolução Industrial o conceito de vocação mudou e passou a ter relação com a produtividade. O que era antes definido por uma vontade divina, agora tinha relação com as notas e o desempenho acadêmico. A ordem era: produza!

Depois, no período pós Segunda Guerra Mundial, com a urgência em reconstruir economias destruídas, abriu-se um campo fértil para o desenvolvimento de instrumentos psicométricos que ajudavam na escolha da profissão. Passamos então a um determinismo científico e não mais religioso sobre a noção de vocação. Ou seja, os testes psicométricos com seus “superpoderes” revelavam o “chamado” das pessoas. Aliás, um chamado eterno, já que valia para toda a vida.

Dentro desse contexto histórico em que tudo era mais lento, as opções profissionais eram reduzidas e onde a expectativa de vida era baixa, é claro que a ideia de vocação fazia sentido. Mas… Pensemos juntos: será que ainda faz? Claro que a resposta é não. O conceito que ganha força e nos ajuda a caminhar nesse novo terreno de infinitas possibilidades é exatamente o de propósito. Do latim proponere, quer dizer colocar à frente. Perceba a diferença central: aqui você é ativo. É você quem constrói, cria e decide o que vai colocar nesse lugar de guia. A autoria é sua.

Mas é claro que você não cria um propósito do nada. Se você decidir que terá “tal” propósito porque acha interessante ou por qualquer outra razão, isto não vai funcionar. O seu propósito está aí nas malhas da sua história. Nos rastros das suas escolhas até aqui. O que você precisa é extrair. Literalmente, você tem de “parir” esse saber das suas entranhas.

Vale lembrar aqui as palavras e Sri Prem Baba em seu livro Propósito – A coragem de ser quem somos:

O propósito interno está relacionado com aquilo que a pessoa faz no mundo, mas o fazer em si não é o propósito. O fazer é um instrumento por meio do qual o propósito se realiza.”

Veja bem. O propósito além de nos permitir ser autores, ele também nos permite uma flexibilidade. Podemos viver nosso propósito por meio de diversas atividades, trabalho, profissão. E ele não é estático! Vai, com o nosso amadurecimento, amadurecendo também.

Então, fica a pergunta: você quer ter uma vocação ou um propósito?

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