Nós repetimos o que não reparamos

 

Encontrei essa frase em um perfil do Instagram, daqueles que tem muitos posts inspiracionais. Li e logo me perguntei:

É assim mesmo? Repetimos o que não reparamos?

A resposta é sim. Mas não só! Também repetimos o que já reparamos, mas, por inúmeras razões, fazemos de conta – para nós mesmos – que não percebemos se tratar de uma repetição. Até porque os detalhes e especialmente os personagens do cenário são diferentes. Assim, diminuímos a importância do fato.

A situação é mais ou menos esta: percebemos que existe um desfecho que se repete em determinadas situações, seja nos relacionamentos afetivos ou no trabalho, e que temos algo (para não dizer tudo) a ver com isso, mas “deixa quieto”.  A vida tratará de nos proporcionar desfechos diferentes da próxima vez.

Cenário curioso: a pessoa continua fazendo tudo igual, mudando somente os personagens (ou não) e ainda assim acredita que o mundo se encarregará de lhe proporcionar experiências diferentes e terminar com as repetições. Repetições estas que são, invariavelmente, fracassos ou sofrimento em algum grau.

Repetimos por vários motivos. Mas especialmente repetimos aquilo do que fugimos. Aquilo que temos medo de olhar de frente. Tanto medo que “não reparamos”.

É importante esclarecer que muitas vezes não sabemos com clareza o que se repete. Somente sentimos que tropeçamos mais uma vez naquela ‘pedra’ que, se observarmos bem, é muito parecida com a ‘pedra’ anterior.

Na verdade, o que não está sendo reparado neste caso é o lugar que escolhemos ocupar nas relações, sejam elas quais forem.

Compreender verdadeiramente a posição que ocupamos (sempre por escolha nossa ainda que passivamente) nas relações, não é tarefa fácil. Dá trabalho. Exige investimento de tempo, dinheiro – preferencialmente pago a um bom analista ou psicoterapeuta –, mas principalmente exige dispêndio de energia.

Isto mesmo, dispendemos energia (e não é pouca!) para olharmos para nós e nos responsabilizarmos pelas nossas parcelas – que não costumam ser pequenas – nos fracassos que nos acometem.

E a responsabilidade dói. E a nossa energia diminui ainda mais.

Mas, em algum momento, tudo começa a fazer sentido. Se de um lado dispendemos, de outro sentimos a energia brotar. E isto sim nós reparamos!

Reparamos porque não há como passar despercebido o fato de que estamos diferentes. E estamos diferentes porque estamos mais livres para dizer sim ou não frente a um cenário de aparente repetição.

Ora, não sejamos ingênuos, aquele antigo cenário continuará a se apresentar. O que muda é o seguinte fato: agora nos tornamos avisados sobre nós mesmos. Sobre a pedra que se interpõe no nosso caminho e que, como eu disse antes, é sempre muito parecida com as anteriores que costumávamos tropeçar.

Nesse cenário, aparentemente igual, não somos mais escolhidos, mas passamos a escolher a experiência que queremos ter. E então, podemos desviar dessa tal pedra e dizer para nós mesmos: desta vez, não.

E isso muda tudo!

E então, o que você escolhe?

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